ALMA
Fingi-me de adormecido, do quarto a porta aberta.
Um vulto aparecido mexeu da cama a coberta.
E o corpo petrificado, inerte, amedrontado é o meu...
Talvez estejas à janela, talvez sentada à lareira.
O frio que sentes nas trevas combates com a fogueira.
Eu não me importo que fiques, se vens é porque tu gostas de mim...
Entre luas... em noites escuras já não estranho é sempre assim.
Fecho os olhos, rejeito o medo, sei que tu gostas de mim.
Quem tu foste...
de quem era o corpo onde essa alma ontem viveu?
Não me importo se agora só te sentes bem no quarto meu.